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Eternos | Crítica


Do Oscar Aos Super-Heróis, Chloé Zhao nos leva a uma Marvel nova e ainda maior.

Parece que uma vida se passou desde Ultimato, a pandemia do COVID-19 nos trouxe a sensação de sermos Blipados, assim como MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Desde então temos visto algumas coisas diferentes, como nas séries Wandavision e Loki. Porém nada se compara em escala a Eternos, podemos sim dizer que agora a fase 4 chegou, ela vem diferente e maior, mas ainda assim excelente.

Os Eternos foram criados por Jack Kirby e fizeram sua primeira aparição em The Eternals #1 em 1976. Eles são uma espécie de super-humanos criados pelos Celestiais,seres cósmicos extremamente poderosos. Assim como os Eternos, os Celestiais acabaram criando os Deviantes, originários da mesma experiência que criou os Eternos, mas que foi meio deturpada. Então os Eternos estão na Terra há 7 mil anos, com a missão de defender a humanidade, e mesmo sendo muito poderosos, só poderiam interferir nas ações dos humanos se o assunto envolvesse os Deviantes. Até que algo faz com que essa família tenha que se unir de novo.

“Charles, o mundo já não é mais o mesmo”. A já icônica frase de Logan para Charles Xavier no longa da Fox cai como uma luva aqui. Por mais que estejamos frente a mais um filme da Marvel Studios, e aquela “Fórmula Marvel” ainda esteja presente, é notável que algo mudou. É a primeira vez que uma mudança de “fase” do MCU é fortemente sentida, e isso pode fazer que algumas pessoas possam  estranhar e talvez torçam o nariz. E eu não estou falando desses trolls que só querem boicotar um filme pela diversidade, estou falando de pessoas com bom senso mesmo.

Isso porque a vencedora do Oscar Chloé Zhao quis trazer mais do que só um filme de super-heróis, mas sim um filme maduro que saiba se desenvolver sem pressa para contar sua história e apresentar seus personagens, com uma cadência necessária para que o público posso encontrar as reflexões que a Diretora e também roteirista propõe. Isso resulta em um filme mais lento, o que não significa ser cansativo. Confesso não ter sentido as mais de 2 horas e meia.

E funciona porque o filme é incrivelmente lindo. É encantador ver a fotografia, as cores e os planos abertos magníficos que a diretora traz para Eternos, coisa que vi muito em seu premiado Nomadland, e ver isso em um filme de super-herói é incrível para quem ama cinema.

Mas também tenho que dizer que essa proposta mais reflexiva de Chloé Zhao acabou não chegando até mim. Muito porque os arcos dramáticos são sempre interrompidos pela tiradas cômicas, principalmente do personagem do Kumail Nanjiani, que tem essa proposta, e até mesmo algumas cenas de ação cortaram esse clima. Por mais que Eternos não esteja longe de ter suas piadas a todo tempo, como em outras produções do MCU, elas realmente atrapalham que um dos objetivos de Zhao se cumpra.

O elenco também é outro bom acerto da produção. Todos os atores e atrizes conseguem desempenhar bem o que lhes é proposto, o que não significa que todos os personagens são bons, mas dentro da proposta todos entregam o necessário, e ajudam que mesmo com esse ritmo mais lento, as histórias sejam interessantes.

E é sobre isso que Eternos fala, sobre esses heróis e sua relação entre si e com a humanidade.  E é aqui que o filme mistura bons acertos e alguns erros. O primeiro deles é conseguir apresentar esses personagens não conhecidos do grande público, pelo menos para Os Eternos como grupo é uma das apresentações de personagens mais conscientes e bem feitas do MCU.

Começando por Sersi (Gemma Shan), uma Eterna com uma forte conexão com os Humanos e que pode manipular matéria inanimada. Mesmo com um ótimo trabalho de Gemma Chan, que segura bem o protagonismo do longa, sua história é meio batida. Ela ama os humanos acima de tudo, inclusive acima de seu propósito dado pelos Celestiais, dilema que já vimos em outros lugares por aí. E o mesmo se aplica a Ikaris e a Ajak, que tem basicamente o mesmo plot visto por ângulos diferentes. Inclusive Sersi e Ikaris tiveram um relacionamento por 5 mil anos, e é um acerto do roteiro não fazer que suas decisões no filme sejam baseadas nisso, e sim na sua relação com a humanidade.

Outra que tem um plot já conhecido de outros lugares é Sprite, ou Duende. Ela é uma Eterna presa em um corpo de criança, algo que já vimos lá em Entrevista Com O Vampiro na personagem de Claudia, vivida pela Kirsten Dunst. E o drama no filme de 94 é  melhor desenvolvido, pois tem mais protagonismo dentro da história.

Gilgamesh (Ma Dong-seok) e Druig (Barry Keoghan) até tem história interessantes, mas que acabam tendo pouco espaço para serem desenvolvidas. O que não chega deixar seus personagens subdesenvolvidos, mas com certeza deixa aquele gostinho de quero mais. Tanto na relação de Gilgamesh como uma espécie de protetor de Thena, como de Druig, que decidiu há muito tempo abandonar a ideia de não interferir na vida dos humanos.

A única que eu senti ser pouco aproveitada no filme  foi Makkari, vivida pela Lauren Ridloff. E por mais que a atriz faça um bom trabalho, seu grande destaque acaba sendo na luta final, e aí realmente a cena dela é excelente. Ela é uma velocista porradeira incrível. Outra que pode se encaixar aqui é Thena, que até tem mais tempo no filme e seu arco tem mais importância. Ela tem lapsos de memória, e faz algumas coisas no filme que pra mim ficaram um pouco mal explicadas. Mas é a Angelina Jolie, né gente! Não tem como não amar cada segundo dessa mulher no filme.

Chegamos aos dois últimos, Kingo (Kumail Nanjiani) e Phastos (Brian Tyree Henry). O primeiro deles é Eterno que se tornou uma grande estrela de Bollywood, e que junto com seu assistente Karun (Harish Patel) são o alívio cômico no filme.

Já Phastos eu deixei por último porque acabou sendo meu personagem favorito em Eternos. Primeiramente porque sua história é a que mais me tocou. Phastos é uma espécie de engenheiro do time, e acaba trazendo suas invenções para os humanos, mesmo que não devesse. Até ter uma grande decepção ao ver como os humanos lidaram com sua ajuda, mas mesmo assim ele acaba encontrando o amor e uma família nessa mesma humanidade que o decepcionou tanto. Além de uma atuação brilhante de Brian Tyree Henry. Eu saí apaixonado pelo Phastos.

Com certeza vai ter gente achando semelhanças da DC em Eternos. De Ikaris com Superman, Thena com a Mulher-Maravilha ou Makkari com o Flash, por exemplo. O que pode não ser tão a toa assim, já que Jack Kirby trabalhou na DC no início dos anos 70, e chegou a apresentar uma ideia semelhante na editora concorrente, que acabou não desenvolvendo seu projeto. Ao voltar para a Marvel em 75 ganhou carta branca para desenvolver sua história, que culminou no lançamento de Eternos #1 em julho de 76.

Pra mim existiu uma grande quebra de expectativa em Eternos, principalmente relacionada ao envolvimento dos Deviantes. Claro que não vou dar spoilers aqui, mas vale dizer que é algo realmente de expectativa, o que não tornou a história ruim, mas se você estiver com o mesmo sentimento, provavelmente pode sentir o que eu senti. Isso em nada influencia na qualidade do que Chloé Zhao pensou para os Eternos, entendo a motivação dela mais voltada em apresentar os heróis, tornando uma história mais sobre eles, e realmente isso é bem feito.

Uma última coisa que vale ressaltar, é que eu estava curioso para ver Chloé Zhao dirigindo as cenas de ação, e ela não me decepcionou. As lutas não excelentes, com efeitos visuais excelentes, acontecendo de dia e com planos abertos, ficando muito claras, mesmo que os Deviantes pareçam todos iguais.

E não custa avisar. O Filme tem DUAS CENAS PÓS CRÉDITOS. E Acreditem, vale a pena esperar os créditos.

Eternos é o primeiro passo firme da Marvel em sua Fase 4 no cinema, e já começa a nos responder a pergunta se a Marvel conseguiria se reinventar após ultimato. E se continuar assim, os votos de confiança para Kevin Feige só aumentam.


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