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Tempo | Crítica


Novo longa de M. Night Shyamalan Chega Hoje Aos Cinemas Com Adaptação de HQ Perturbadora

Tempo acompanha uma família durante sua viagem para uma ilha tropical, mas quando chegam em uma praia deserta algo estranho começa a acontecer: todos  começam a envelhecer rapidamente, anos inteiros passam em questões  de minutos. Eles, então, precisam descobrir o que está acontecendo antes que suas vidas sejam encurtadas drasticamente.

O filme é uma adaptação da HQ de terror Castelo de Areia de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters, publicada no Brasil em 2011, e que Shyamalan teria recebido de dia dos pais de sua filha, e ao ficar encantado com a história, comprou os direitos de adaptação.

O clima de estranheza é presente desde o começo do filme, desde a forma que a família protagonista chega nessa uma espécie de resort, no modo que são tratados e até na própria relação entre eles, o tempo todo parece que tem algo errado acontecendo. Esse clima tenso é mantido durante o longa, e reforçado pela direção de M. Night Shyamalan que deixa muita coisa acontecer fora da câmera, para parecer que sempre estamos perdendo alguma coisa ou sempre olhando para o lugar errado, usa até um movimento de câmera sempre girando para nos deixar desnorteado, o que combina muito com a história perturbadora que o filme apresenta.

Porém,  todo o bom clima que ele cria na direção,  ele não sustenta no roteiro. Shyamalan insiste em ficar explicando demais o que está acontecendo, quando por exemplo ele fala no começo do filme que as células das pessoas envelhecem rápido ali nessa praia, depois quando mostra um corte cicatrizando quase instantaneamente ele explica que isso acontece porque as células envelhecem rápido, e por fim quando usa tudo isso mais para a frente, ele explica de novo que as células envelhecem rápido. Sentiram como essa repetição incomoda? Esse sentimento permeia o filme a todo tempo, a ponto de quebrar várias vezes a tensão que o longa se propõe.

O longa provoca muitas reflexões sobre como levamos a vida, e sobre como nossas escolhas de hoje irão refletir no futuro. Principalmente nos personagens que fazem o casal principal Guy (Gael García Bernal) e Prysca (Vicky Krieps), que passam por questões familiares delicadas, mas que com o tempo sentem o quanto decisões que estavam antes certos de tomar, iriam se tornar arrependimentos de uma vida em troca de um momento. Assim como também a personagem Chrystal (Abbey Lee), uma mulher jovem casada com um homem mais velho, o médico Charles (Rufus Sewell), e que sempre colocou a beleza em primeiro lugar, mas quando essa beleza vai embora, pouco sobra dela, e o resultado disso é uma das cenas mais bizarras que o filme entrega, e que eu gostei demais.

Assim como a vida dos personagens, o roteiro do filme também passa muito rápido por essas questões que levanta, e poucas delas tem o tempo que deveriam para serem desenvolvidas. Isso às vezes deixa aquele gostinho de querer ver mais de algumas delas, como na relação entre os filhos das duas famílias, onde tem um grande acontecimento, mas peso dramático vai se perdendo no meio de tanta coisa que ali acontece. Isso reflete também nas atuações, que mesmo tendo bons nomes no elenco ninguém acaba deixando algo memorável no final do filme.

Mas no fim, é aquela tensão que já falei antes, de sempre ter a sensação de não estar vendo alguma coisa, que consegue amarrar tudo de uma forma que segura o espectador na cadeira e mantém o interesse durante quase todo filme. Claro que isso também acontece graças a fama de M. Night Shyamalan e de seus Plot twists, já esperados pelo público. Só que aqui o último ato joga tudo isso fora, quando o roteiro volta a tentar se explicar demais, e dessa vez além de verbalizar, o diretor resolve mostrar tudo, é como se a cortina e abrisse e estragasse a magia que estava no palco. Só que toda explicação que ele insiste em tornar visual no fim, já estava apresentada nos detalhes desde o começo. Para quem prestasse atenção, todo mistério do que levou eles até a tal praia já estava posto desde o começo. Toda aquela surpresa que poderia ser gerada no espectador ao ligar os pontos no final, é jogada fora quando Shyamalan nos subestima e entrega tudo mastigado, de forma totalmente desnecessária.

Tempo acaba sendo uma mistura de uma excelente história, daquelas com potencial para ficar com a gente depois do fim do filme, com um encerramento que deixa aquele gosto amargo de desperdício.


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